Como nasceu a icônica capa da estreia do Secos e Molhados

Compartilhe

No Capa do Disco desta semana, a gente relembra um clássico da música brasileira e aquele que é considerado o dono da melhor capa de todos os tempos, de acordo com enquete realizada pela Folha de S. Paulo em 2001: Secos & Molhados (1973).

Precursor do glam rock no Brasil, o disco de estreia do antigo trio de Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson chocou o Brasil da ditadura por sua extravagância e agressividade.

Na capa, os quatro membros da banda (o baterista, Marcelo, ainda era integrante na época) aparecem maquiados, num visual andrógino, com suas cabeças decapitadas, sendo servidas em um banquete.

“Estávamos oferecendo nossas cabeças. As caras maquiadas eram para não nos reconhecerem. Era agressiva. Nós éramos agressivos. Coloque-se no meu papel, num país machista, em plena ditadura. Era agressivo por tática. Senão seriam comigo”.

Ney Matogrosso sobre a capa em reportagem da Folha de S. Paulo de 2001

A concepção da capa foi inspirada em um trabalho do fotógrafo Antônio Carlos Rodrigues, que havia feito um ensaio foto com sua mulher “decapitada” e servida numa mesa com sangue publicado na revista Fotoptica.

“Vi um show deles, que ainda faziam sem máscaras. Falaram que a gravadora não acreditava neles, que tinham uma quantia insólita para me pagar.  Mostrei as fotos da ‘Fotoptica’. Acharam arrojado demais, mas entenderam que era uma grande ideia”.

Antônio Carlos Rodrigues para a Folha, 2001
Discos de estreia de Secos & Molhados e Kiss (Foto: Reprodução)

A capa ainda gerou uma “desavença” entre o Secos & Molhados e banda Kiss:  há quem acredite que os norte-americanos, que lançaram seu disco de estreia poucos meses depois, em 1974, copiou a brasileira, devido à semelhança entre as maquiagens de ambos os grupos. Ainda não há consenso sobre quem copiou quem.

Assine a nossa newsletter