
Com seus cabelos vermelhos e a personalidade que imprime em cada verso, Ciça chegou pela primeira vez à Casa Natura Musical para apresentar NEPOBABY, seu EP de estreia. Aos 18 anos, a rapper vive um momento importante de sua trajetória artística com um trabalho que nasce da vontade de mostrar quem é para além das expectativas criadas em torno de seu sobrenome. Na última semana, o nosso palco foi cenário desse novo capítulo, marcado pela expectativa de apresentar suas músicas ao vivo e pela emoção de encontrar um público que, até então, acompanhava parte dessa trajetória pela internet.
Em NEPOBABY, Ciça parte de experiências pessoais para elaborar sua relação com a música, com o rap e com a própria imagem. Entre os desafios de se afirmar como artista e a vontade de compartilhar suas composições com o público, a jovem reconhece no gênero um espaço de aprendizado, autoconhecimento e transformação. No camarim, conversamos com ela sobre as expectativas para essa nova fase, a influência de mulheres que abriram caminhos no rap nacional e o significado de crescer artisticamente sem deixar de reconhecer a garota por trás do nome que sobe ao palco.

Casa Natura Musical: NEPOBABY é seu primeiro EP e você já comentou que esse projeto nasceu da vontade de mostrar quem é a Ciça para além das expectativas criadas em torno do seu sobrenome. Depois do lançamento, como você tem se sentido ao dividir esse trabalho com o público?
Ciça: Eu tenho me sentido muito feliz, muito acolhida. E, acho que agora vou conseguir sentir tudo isso de verdade, porque, pela internet, você vê os números e sabe que tem muita gente ouvindo. Fico muito feliz com os comentários e eu vejo esse carinho. Mas, quando você está pessoalmente com o público, vê a galera cantando suas músicas ou tem uma troca com alguém que chega e fala: “Poxa, essa música me marcou muito”, acho que a ficha começa a cair de verdade. É tipo: c*ralho, as pessoas estão ouvindo, as pessoas estão gostando, sabe? Acho que, ao vivo, principalmente agora, com o primeiro show da turnê, vou conseguir sentir de verdade essa troca com o público.

Casa Natura Musical: A Casa já recebeu artistas como AJULLIACOSTA, MC Luanna, Nandatsunami, Ebony e outras mulheres que vêm construindo caminhos próprios dentro do rap. Como é pra você fazer parte desse movimento?
Ciça: Eu me sinto muito mais realizada. Como sou uma pessoa nova, cresci ouvindo essas minas, né? Tipo, com 14, 15 anos, já ouvia AJULLIACOSTA e, hoje em dia, já dividi o palco com ela. Eu sempre fui muito fã da Ebony, gosto muito do trabalho dela e também já dividi o palco com ela. Então, pra mim, é muito gratificante.
Me sinto muito acolhida e inspirada também, ainda mais por poder ver de perto, conhecer as minas e realmente falar: “Cara, elas são muito f*das”.
Casa Natura Musical: Existe alguma faixa do EP que você considera especialmente importante para compreender sua trajetória ou que gostaria que o público escutasse com mais atenção?
Ciça: “Apenas Cecília”. Essa é uma letra que lancei pra mim, e que fala sobre quem eu sou. Porque eu não sou um personagem e acho que não tenho tanto do meu lado artístico quanto deveria ter. Na verdade, acho que preciso aprender a ter mais, inclusive.
Porque eu realmente sempre fui a Ciça. Tenho vídeos do meu pai me pegando depois que eu nasci e falando: “Olha, é a Ciça”. Então, tipo, eu sempre fui a Ciça e tenho um pouco de dificuldade de diferenciar o meu lado artístico do pessoal. E eu trouxe isso na letra. De qualquer jeito, quando as pessoas escutam o meu som e me veem no palco, no fim de tudo, eu sou só apenas a Cecília, e tô aprendendo. Sou uma garota, uma menina de 18 anos, fazendo o que amo, com respeito e carinho pelo rap, errando e acertando.
Casa Natura Musical: Quando pensa na Cecília que começou a gravar aos 15 anos e para a artista que apresenta NEPOBABY hoje, quais transformações considera mais importantes no seu percurso?
Ciça: Eu realmente acho que amadureci muito junto com o rap e com a música. Aprendi a me respeitar mais e a lidar com certas emoções minhas também.
Acho que foi um processo que vivi junto com o rap, em que, ao mesmo tempo, senti muito medo. Por exemplo, agora, como eu disse em “Apenas Cecília”, aprendi a lidar com o meu medo. Tipo, eu tô com medo pra c*ralho de subir no palco da Casa Natura Musical, entendeu? Tô nervosa. Mas, ao mesmo tempo, penso: “Cara, é isso que eu gosto”. Acho que, quando eu parar de ficar nervosa, não vai ter mais graça. Sabe? Acho que vai perder o brilho.
Então, tenho que ficar feliz por essas coisas. O rap me moldou muito nesse sentido, me ensinou a ser feliz e a entender que o que é meu vai ser meu, que o que é pra eu fazer, eu vou fazer. Também me ensinou a confiar nas minhas ideias, nos meus guias e nos meus ancestrais.
Passei por um processo muito grande de aceitação como artista também, sabe? De entender e falar: “Eu vou ser assim, eu sou desse jeito”. Então, acho que o rap me ajudou nisso, a me aceitar como a artista que sou, como a menina que sou e, ao mesmo tempo, como mulher. Acho que foi esse processo que me mudou bastante desde os 15 anos.
Casa Natura Musical: Para finalizar, como está o seu coração pra subir no palco hoje?
Ciça: Nervosa, mas muito feliz também. Tipo, assim, eu tô nervosa, mas não é um nervoso de achar que vai dar errado. É um nervoso que, ao mesmo tempo, vem com aquela animação de subir no palco. Então, eu tô muito feliz. É uma realização muito grande.
Eu amo fazer show, véi. Pra mim, essa é a melhor parte de ser artista. Tudo que eu faço como artista é pra fazer show.
Eu vi um vídeo da Marina Sena falando isso: “Gente, eu faço álbum, faço visualizer, faço tudo. Mas eu tô cagando pra isso, eu quero mesmo é fazer show”. Eu sou assim, entendeu? Eu quero fazer show, viajar, chegar no palco e ver as pessoas curtindo.
Então, eu tô com essa sensação. Tipo assim, meu Deus, é o começo da era NEPOBABY na minha vida. Eu tô muito feliz e não poderia ser em um lugar melhor.
