De volta à Casa, Sain encerra a turnê “KTT ZOO” e prepara o próximo capítulo da carreira

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Foto: Bel Gandolfo (@kiddotrixx)

Foi na Casa Natura Musical que Sain deu o primeiro passo da turnê “KTT ZOO”. Agora, três anos depois da estreia do álbum, é também aqui que ele encerra esse ciclo. No dia 03.10, o artista retorna ao palco da Casa para a última apresentação da turnê, fechando uma fase que percorreu o Brasil e é um marco na carreira do artista.

O encerramento acontece em meio a outras movimentações importantes na carreira do artista. Recentemente, Sain participou, em São Paulo, do show “Castelos & Ruínas 10 Anos”, de BK, reencontrando no palco parte da história que atravessa sua caminhada no rap. Ao mesmo tempo em que se despede da era KTT ZOO, ele já prepara os próximos passos: um novo álbum solo, construído a partir do conceito da Bloco7 FM.

Em conversa com a Casa Natura Musical, Sain revisita sua relação com o Catete e os bairros que atravessam sua obra, fala sobre o encerramento de KTT ZOO e alguns spoilers do trabalho que vem pela frente.

Foto: Bel Gandolfo (@kiddotrixx)

Casa Natura Musical: Desde Doses de Adrenalina, você vem criando um universo musical em torno do seu bairro, o Catete, e dos bairros ao redor — Lapa, Glória, Centro do Rio. O que tem de diferente nesse novo trabalho? O que mudou na sua relação com o Catete, lá do Doses de Adrenalina até agora?

Sain: Cara, eu acho que a cidade foi mudando, né? Minha área foi mudando. Eu fui mudando também, amadurecendo. Mas eu acho que, olhando assim pra trás agora, é interessante que é tipo um registro, né? De como que é a vida aqui, como que as coisas que acontecem, como que a gente pensa. Acho que as mudanças são essas, naturais mesmo, da vida.

Casa Natura Musical: O show na Casa é o seu último show da era KTT ZOO. O que a gente pode esperar dessa última apresentação? E da nova fase do seu trabalho?

Sain: Essas músicas eu estou cantando há bastante tempo já. Eu acho que isso, a gente está vindo com a performance já bem redonda de bastante tempo de estrada, sabe, dessas músicas. Diria que no ápice desse disco.

Casa Natura Musical: O nome da rádio que você escolheu para o conceito do novo disco é Bloco7 FM. Podemos esperar uma reunião do Bloco7? Também vimos que o perfil oficial da Pirâmide Perdida fez um post este ano celebrando os 10 anos da Mixtape Vol. 7, e isso gerou um burburinho na cena. É só nostalgia ou podemos esperar uma reunião de pelo menos alguns membros do Bloco?

Sain: Sim, com certeza. Bloco 7 não no nome, mas meus amigos me ajudaram muito ali. Tem participação deles, tem ideias deles que a gente trocou e que isso virou música. Bloco 7 ainda tá vivo.

Casa Natura Musical: Ainda não conseguimos ouvir o disco, mas o que podemos esperar sonoramente? Você está na produção mais uma vez. Já vivenciou muitas fases do rap nacional: desde ter crescido com o D2, passando pelo “ano lírico” em 2017, pela ascensão e pelo declínio do trap-funk, pelo grime e, agora, por um apontamento para o retorno do boom-bap. Desde Doses de Adrenalina e dos seus trabalhos como produtor na Pirâmide, você mantém uma certa coesão estética nos seus beats, seguindo fiel ao boom-bap, com referências de rap jazz e scratches. Podemos esperar algo nesse sentido no próximo disco? 

Sain: Sim, esse disco (eu) produzi bastante de novo, mas, diferente do Doses de Adrenalina, eu produzi todos os estilos de música que eu gosto, não só boom-bap. Ele está bem vasto, com muita sonoridade diferente do começo ao fim. Trouxe tudo o que eu aprendi para esse novo disco.

Casa Natura Musical: Alguns outros trabalhos do rap nacional também já seguiram essa estrutura de rádio. O mais emblemático é Nada Como Um Dia Após o Outro Dia, dos Racionais. Recentemente, o Deekapz — que, inclusive, participa do seu disco — lançou o Deekapz FM, que também segue essa estrutura. Em uma época em que ouvir rádio já não faz parte da rotina de muita gente, já que hoje muitas pessoas trocaram o rádio pelos serviços de streaming, por que você escolheu reverenciar essa mídia? O que tem no rádio que não tem nos serviços de streaming?

Sain: O diferencial da rádio para o streaming é que você sente que está em uma comunidade. Tem uma seleção musical, uma curadoria, tem ideia, tem uma pessoa ali conversando contigo, tem um roteiro. Acho tudo isso muito interessante, é uma outra forma de escutar música, sabe? Eu acho que é isso, que as músicas do disco fossem apresentadas desse jeito.

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