fbpx

“A internet e as mídias sociais não prejudicam o fazer poético”: entrevista com Antônio Nóbrega

Compartilhe

Share on facebook
Share on linkedin
Share on twitter
Share on email

Crédito: Silvia Machado

No dia 16 de novembro de 2019, Antônio Nóbrega se apresentou aqui na Casa o show de lançamento do seu novo disco, RIMA. Na ocasião, aproveitamos para conversar com o  multiartista pernambucano sobre o trabalho. Relembre abaixo:

Inspirado na poesia rimada brasileira, RIMA reúne canções referenciadas em modalidades poéticas como a sextilha, a embolada e o galope beira-mar, compostas em parceria com os poetas e letristas Bráulio Tavares e Wilson Freire e o músico Rodrigo Bragança, além de obras de Violeta Parra (“Volver a los Diecisiete”), Guerra Peixe (“Mourão”) e Noel Rosa (“Três Apitos”). O repertório do disco foi construído ao longo dos últimos anos, período em que Nóbrega se dedicava prioritariamente à construção de espetáculos de dança. Entre as faixas, destacam-se “Quem Mandou Matar Marielle?”, colaboração com Wilson Freire, e “Minha Voz não Silencia Porque Poeta não Cala”, que reafirma o compromisso do gênero canção com as questões do tempo em que vivemos.

Conversamos com o multiartista pernambucano sobre canção brasileira, poesia, redes sociais e, claro, seu novo disco, Rima. Leia o papo abaixo:

1) Neste trabalho, você se dedica à investigação dos versos do Brasil, ao contrário de temporadas anteriores, em que a dança e a sonoridade estavam à frente. Por que você resolveu se dedicar aos versos?

Cada espetáculo que eu crio tem um universo de referência. Percebi que o meu ciclo com a dança poderia se fechar, por enquanto. Não digo que será pra sempre. A minha dinâmica, neste momento, está em relação à canção. Vi que estava na hora também de produzir um álbum autoral, o que há muito tempo não fazia.

Em Rima, escolhi o mundo das modalidades poéticas para reverenciar o espetáculo. Mas a rigor não é um show temático. O extenso universo da poesia popular brasileira funciona mais como plataforma, um chão no qual eu crio meu pequeno circo.

2) Como foi o processo de idealização e produção do disco?

Foi praticamente o mesmo do espetáculo. Ao longo deste últimos anos, eu vim me dedicando a espetáculos ligados à dança. Neste período, fui também anotando ideias de canções, sobretudo as melodias, aqui no meu próprio iPhone. E sempre trabalhei dessa maneira com a música: reunindo e juntando ideias, anotações e, em certo momento, revisito esses arquivos gravados e estruturo as canções.

3) Elenque seus três trabalhos poéticos preferidos.

Há inúmeros trabalhos poéticos que me encantam e me inspiram. Mas como eu vou citar apenas três, não posso deixar de indicar aqueles autores que me encantam continuamente: Gregório de Matos, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Esses três são indispensáveis no meu cotidiano de fruição poética. E sem dúvida o universo poético popular na voz de cantadores como Valdir Teles, Geraldo Amâncio e Ivanildo Vila Nova.

Crédito: Silvia Machado

4) Qual você acha que seja o lugar da poesia nos dias de hoje, em tempos em que a internet e as mídias sociais pautam e moldam as relações humanas?

Acho que a poesia tem um papel ainda muito importante no mundo em que a gente vive. Inclusive a poesia oral, a poesia da canção. A gente deve se lembrar dois anos atrás um grande poeta musical, o Bob Dylan, ganhou a maior comenda dedicada à poesia (Prêmio Nobel de Literatura de 2017). No meu ver, a internet e as mídias sociais não prejudicam o fazer poético. Na verdade, elas até colaboram. Tem vários poetas dentro do universo cultural popular que se comunicam com o público ou com outros poetas através das redes sociais. Eu pessoalmente troco muitas ideias, estrofes com Geraldo Amâncio, por exemplo. Esses meios são colaboradores. A poesia transcende os meios de comunicação. Existe a poesia oral, depois existe a poesia pós-Gutenberg (inventor da imprensa, no século XV) e agora existe a poesia em tempos de internet e midiatização.

5) Musicalmente, quais foram suas referências para Rima?

As minhas referências musicais são muito amplas, porque ao mesmo tempo que eu incursiono pelo mundo musical popular, tive a sorte também de ter uma cultura musical erudita, pois estudei violino. A minha formação musical “universal” se funde ao meu conhecimento de mundo musical popular, das toadas, das cantigas.

Texto divulgado originalmente em campanha de email-marketing da Casa Natura Musical no dia 13/11/2019

+ comunicado importante

A hora do reencontro tá chegando! 🧡 Para que o nosso retorno aconteça da maneira mais segura possível, vamos precisar da colaboração de cada um de vocês. Somente com muito cuidado e responsabilidade coletiva, poderemos voltar a nos encontrar na música.

Venha pra Casa com seu comprovante de vacina atualizado e de máscara PFF2, N95 ou cirúrgica. Se estiver com sintomas, ainda que leves, perto da data do show, deixe pra vir nos visitar outro dia.

Seguindo as recomendações das autoridades de saúde, montamos um guia com os principais protocolos que usaremos para receber vocês nos shows na Casa a partir de 2 de fevereiro.

👉 PROTOCOLOS

1º) Comprovante de vacinação atualizado com no mínimo duas doses


Pode ser físico ou virtual. O importante é que esteja em dia. Se atente à data da sua 3ª dose no site www.vacinaja.sp.gov.br ou no canal de comunicação da prefeitura da sua cidade.

2º) Uso de máscara durante a permanência na Casa

Obrigatório. E a entrada só será permitida com máscaras N-95/PFF2 sem filtro ou máscaras cirúrgicas. Máscaras de pano, de plástico, bandanas e outros adereços semelhantes não serão aceitos.

*Importante: Por sermos um local majoritariamente fechado, a retirada da máscara só será permitida para o consumo pontual de bebidas. Não haverá comidinhas na Casa.

3º) Lotação reduzida

Estamos disponibilizando menos ingressos à venda, para aumentar o distanciamento social e garantir uma noite mais segura.

4°) Artistas e equipes previamente testades

E toda a equipe trabalhará com máscaras N-95/PFF2, com exceção des artistas que estarão se apresentando.

5°) Circulação reduzida nos bastidores

Somente as equipes autorizadas poderão circular nos bastidores da Casa.

Não se preocupe: Haverá pessoas instruindo e fiscalizando os protocolos durante a sua permanência na Casa.

Importante: Se você tiver ingresso e apresentar sintomas de COVID-19, ainda que leves, ou tiver tido contato recente com alguém que testou positivo próximo à data do show, orientamos a não comparecer e a contatar o nosso atendimento via e-mail para mais informações.

Cuidem-se!